Brasil, vocação de ser o país dofuturo, já no presente…

Por Eduardo Muniz de Lima (Mineiro)
CEO da Minerembryo Central de Receptoras

O Agro de maneira geral amargou em um ano de lateralidade. O Mercado Pecuário frustrou a expectativa da virada do Ciclo Pecuário que esperava alcançar R$400,00/@ no ano passado. A soja e o milho patinaram, e o café vem despencando. No leite teve o preço médio no Brasil em 2025 de R$2,52/L e hoje R$1,99/L. Junta-se a isto momentos
de incertezas de um país com políticas públicas indo contra o desenvolvimento, como paralisação de obras de logísticas, aumento de impostos com a Reforma Tributária, inchaço do Estado, gastos desenfreados para a manutenção da governabilidade e números fiscais que contam uma história diferente do que a grande mídia circula.

A soja, de acordo com o CEPEA, apresentou média de R$136,55 por saca em 2025 e atualmente está cotada a R$124,63. Há expectativa de queda para cerca de R$105,00/sc em Paranaguá na safra deste ano. Nunca as
travas de preço foram tão importantes para a sustentação das margens quanto neste cenário. A China torna-se exportadora de óleo de soja pelo segundo ano consecutivo. No Brasil, a produção foi recorde, e a produção americana foi revisada para cima, pressionando ainda mais os preços, diante de estoques globais elevados e de políticas de pressão adotadas pelo governo Trump.

O milho manteve média de R$71,70 por saca, em um contexto de recorde de produção nos Estados Unidos e na China. A Argentina reduziu os impostos de exportação, os estoques globais seguem elevados e o cenário permanece baixista, resultando em preço atual de R$66,10, com tendência de queda para R$60,00. O café fechou média de 2025 em R$2.271,00/saco e hoje a R$1.861,69 com concorrentes como Vietnã assumindo condições estratégicas. O tempo ajudou nas regiões produtoras e a produção tende a ser recorde, pressionando os preços para baixo, mas do outro lado estoques
globais apertados que sustentam o preço.

O boi, de acordo com o CEPEA, manteve-se em torno de R$ 313,93/@ em São Paulo e atualmente está cotado a R$326,90/@. Segundo a Agromove, as exportações cresceram 20,38% em 2025 na comparação com 2024, e
os preços pagos aos frigoríficos exportadores também avançaram, sustentando margens acima de 20% — patamar historicamente excepcional. Em janeiro deste ano, o volume exportado já registra alta de 27%, com preços 10,9% superiores em dólar. Para o primeiro semestre, a expectativa é de boa oferta interna,
o que tende a limitar altas mais expressivas no curto prazo.

No entanto, no acumulado do ano, projeta-se uma produção 4,5% menor em relação ao ano passado. Destaca-se ainda que, pela primeira vez na história, em 2025 foram abatidas mais fêmeas do que machos, configurando um processo próximo à destruição de rebanho. Esse
movimento deverá resultar em escassez de bezerros nos próximos dois anos, com projeção de preços em torno de
R$600/@ para agosto de 2026. Assim, a expectativa para a arroba do boi é de forte valorização a partir do segundo
semestre, podendo alcançar níveis próximos à R$400/@, patamar já esperado desde o ano passado.
Este cenário representa uma grande oportunidade para quem deseja investir em genética, por meio da aquisição de touros puros e geneticamente provados aos preços atuais, antes da esperada valorização do boi. Esse posicionamento permite a posterior venda de bezerros em torno de R$600/@.

Além disso, abre-se espaço para a reposição de fêmeas superiores, aquisição de sêmen e até de receptoras de
embriões prenhes, com preços indexados em arroba — inclusive para embriões congelados que, muitas vezes, permanecem sem destino definido no mercado.

Já no âmbito governamental, faz-se de tudo para maquiar os números. Um exemplo claro são os dados do desemprego: em um país com 215 milhões de habitantes, no qual 112 milhões recebem algum tipo de pagamento
mensal do governo, como é possível registrar o menor nível de desemprego dos últimos anos? Confesso que não
entendo essa matemática.

E o que é ainda mais grave é a ausência de contrapartidas em programas como o Bolsa Família. Não seria
mais justo que essas pessoas estivessem inseridas em cursos de capacitação, retomando os estudos, participando
de EADs de baixo custo, ocupando vagas ociosas em universidades públicas, distribuindo currículos nas empresas,
participando de estágios remunerados, programas de trainee, entre outras iniciativas?
E quando precisarmos fazer na marra o ajuste fiscal?


O estado não pode ser o protagonista da economia! Qual o bem que ele produz? De acordo com Luis Stuhlberger, CEO do Fundo Verde, o Brasil arrecada 37,8% do PIB e gasta próximo de 38,5% do PIB, sendo um negócio insano para um país
emergente e pobre, não existindo paralelo na economia mundial. O atual governo pode elevar a dívida pública
para além de 80% do PIB ao final do mandato e o “presente de Grego” ficará para o próximo mandatário.
As políticas públicas estão gerando efeitos estruturais negativos sobre a produtividade, investimentos, capital
humano e confiança institucional. O populismo fiscal e descontrole orçamentário geram gastos permanentes, expansão de benefícios em ciclos eleitorais e aumento da dívida pública.


A insegurança jurídica traz mudanças nas regras, contratos e falta de previsibilidade institucional, diminuindo
investimentos e aumentando o custo do capital. A burocracia se eleva para licenças desnecessárias,
processos lentos e órgãos regulatórios pouco técnicos e corruptos, subsídios a setores pouco produtivos, políticas
educacionais politizadas e desconectadas do desenvolvimento mundial. Temos hoje escolas ensinando a trabalhar
em empresas que não existem mais e numa economia moderna e disruptiva que muda semestralmente. Nossas políticas trabalhistas são rígidas, sem adaptação econômica e uma politização excessiva da economia.


No Agro, especificamente, temos a falta de clareza no direito de propriedade com a insegurança jurídica, menor
acesso a crédito, desestímulo à tecnologia, políticas ambientais punitivas e pouco técnicas, infraestrutura deficiente,
política tributária complexa e cumulativa e comunicação internacional deficiente que prejudicam nossas exportações.
Já o nosso futuro… sim, temos vocação para que ele seja brilhante. Desde a carta de Pero Vaz de Caminha, na
esquadra de Cabral, há mais de 500 anos — “em se plantando, tudo dá” — isso já era dito, mesmo antes de se
pisar em terras brasileiras.


Ainda assim, perdemos grandes oportunidades ao longo da história para nos tornarmos uma grande economia:
o modelo de colonização português, a invasão holandesa, o chamado milagre econômico, o crescimento abrupto de
países emergentes com taxas acima de 10% ao ano, como China e Índia, e até a própria pandemia, quando alimentamos “seis Brasis” por meio do nosso agronegócio. Mesmo diante de tudo isso, insistimos em manter uma
rede de corrupção e de “toma-lá-dá-cá” que, como afirmou Gilberto Dimenstein, fez com que “formássemos
um país de espertos que, reunidos, resultam em uma multidão de idiotas”.

Que país é este?
Vamos todos fazer nosso 2026 ser o ano da virada? Como disse Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora,
não espera acontecer!”

Acorda Brasil!!!

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