Planejando a adubação das pastagens – Parte I 

Por Lucas Castro

A intensificação de pastagens é uma das estratégias mais eficientes para aumentar a produtividade da pecuária a pasto. Quando bem planejado, esse modelo permite elevar significativamente a produção e a qualidade da forragem, resultando em maior produtividade animal por área. Em sistemas intensivos, dependendo da região e do nível tecnológico adotado, é possível trabalhar com taxas de lotação superiores a 10 unidades animais por hectare e produtividade acima de 100 arrobas por hectare ao ano. Entretanto, para que esses resultados sejam técnica e economicamente viáveis, todas as etapas do sistema precisam ser cuidadosamente planejadas e executadas. 

Um projeto intensivo de pecuária a pasto bem conduzido exige que o produtor tenha uma postura diferente. Independente da taxa de lotação que se pretende trabalhar, seja ela mais baixa ou mais alta, é orientado seguir um programa de manejo da fertilidade dos solos. Este programa, composto por 10 etapas, tem como finalidade organizar e orientar cada processo a fim de garantir que o projeto seja bem conduzido do início ao fim. Neste artigo darei início a essa sequência de etapas do programa de manejo de fertilidade de solos sob pastagens. 

A primeira etapa consiste na escolha da área. Este é o ponto de partida para o sucesso do negócio. Um projeto de pecuária intensivo precisa garantir alta resposta para todo e qualquer tipo de trabalho de correção e adubação que for executado. Para que isso ocorra, a pastagem precisa estar bem formada. A espécie forrageira deve ser adaptada ao clima e ao solo da região. Também é fundamental manter bom stand de plantas, manejo adequado do pastejo e controle de plantas invasoras e pragas. Devemos também garantir água para os animais em quantidade e qualidade, cocho bem dimensionado, piquetes no tamanho e formato corretos e, se possível, sombreamento adequado. 

Nesse momento, é comum surgir a dúvida sobre a escolha das áreas menos produtivas para intensificação, já que desse modo você poderia recuperar e intensificar aquelas áreas, transformando áreas de baixa produtividade em sistemas altamente produtivos. Eu entendo essa linha de raciocínio, porém, quando a nossa finalidade é a intensificação, devemos sempre selecionar as melhores áreas, pois elas demandarão menos investimento e retornarão mais rápido o trabalho feito. 

Feita a escolha da área, devemos realizar o mapeamento desta área. Nesta etapa, caso não tenhamos o mapa com as áreas efetivamente empastadas da propriedade, é possível fazer uso de aplicativos de celulares e/ou computadores para aferir essa informação. Conhecer a área exata é fundamental para calcular corretamente a quantidade de corretivos e fertilizantes necessários. 

Na terceira etapa é realizada a amostragem dos solos para análise da fertilidade. A análise de fertilidade é uma das ferramentas mais importantes para definir estratégias de correção e manejo, mas sua eficiência depende diretamente da qualidade da amostragem realizada em campo. Uma coleta mal feita pode gerar resultados distorcidos e levar o produtor a gastar mais com corretivos e fertilizantes ou, pior ainda, comprometer o desempenho da pastagem. Por isso, entender quando e como fazer a amostragem do solo é essencial para garantir maior eficiência técnica e econômica na pecuária. 

O ideal é que a coleta seja feita no último mês do período chuvoso da região. Também é importante evitar períodos em que o solo esteja excessivamente úmido. Solos muito molhados podem sofrer alterações químicas durante o armazenamento e transporte das amostras, mascarando os resultados laboratoriais. Caso não seja possível evitar a coleta em condições úmidas, a recomendação é secar as amostras à sombra antes do envio ao laboratório. 

As coletas devem ser realizadas nas camadas de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm de profundidade. Além disso, alguns locais devem ser evitados durante a coleta, como áreas próximas a fezes, cupinzeiros, cochos de suplementação, cercas, aguadas e curvas de nível. Esses pontos apresentam alterações localizadas que não representam a realidade da área. 

A quarta etapa consiste na análise laboratorial. Nesta etapa não temos controle, porém cabe ao solicitante enviar para laboratórios idôneos a fim de garantir que as determinações sejam fiéis às amostras enviadas. No laboratório devemos solicitar análise completa e com fósforo determinado em resina, já que pesquisas realizadas pelo IAC mostraram que o processo de extração com resina é um método que avalia melhor a disponibilidade de fósforo. O extrator em Melich pode superestimar (fosfatos naturais e em solos alcalinos) ou subestimar (P ligado ao Fe e Al em solos ácidos). 

A quinta etapa do programa de manejo de fertilidade dos solos sob pastagem é a interpretação das análises. É importante que esta etapa seja feita por um profissional especialista em nutrição de plantas forrageiras para realizar a interpretação corretamente e a recomendação de acordo com a meta e condições específicas daquela propriedade. Dessa forma, é possível viabilizar o sistema. 

No próximo artigo irei trazer o restante das etapas. Até lá.

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