Como rankings, pistas e genética constroem o valor dos animais de elite
O que faz uma vaca valer milhões? A resposta começa muito antes do leilão. No mercado de genética zebuína, a valorização de um animal é construída ao longo de anos de seleção, nas pistas de julgamento, nos rankings das associações e na comprovação de sua capacidade de deixar uma genética de qualidade. Cada título conquistado aumenta a visibilidade, cada resultado ajuda a provar a consistência daquele trabalho e, quando essa história chega ao mercado, os números podem impressionar.
Em 2025, a matriz Nelore Donna FIV CIAV (Big Ben da Santa Nice x Parla FIV AJJ) chegou a uma valorização de R$ 54 milhões, depois que 25% de sua propriedade foram negociados no Leilão Cataratas Collection, em Foz do Iguaçu (PR). A cota foi arrematada em um condomínio formado pela Nelore Huff (do cantor sertanejo Murilo Huff) e pela Nelore Traia Veia. Com a compra de R$ 13,5 milhões, eles se tornaram sócios dos proprietários anteriores: Casa Branca Agropastoril, Agropecuária Mata Velha e Nelore LMC. O valor colocou a matriz no topo de um mercado que já havia produzido outros recordes históricos e mostra como a pista e o ranking podem ajudar a transformar qualidade genética em reconhecimento comercial. Ela é um caso extremo, mas ajuda a entender uma lógica que se repete entre as principais raças zebuínas: primeiro vem o animal que se destaca, depois a genética que desperta o interesse dos criadores e, por fim, o martelo que traduz essa procura em milhões.
Donna superou a antiga recordista, sua mãe Parla FIV AJJ (que no mesmo ano alcançou uma valorização total histórica de R$ 27,3 milhões com a comercialização de um lote com seus clones, durante o Leilão Nelore Gibertoni) e a famosa Carina FIV do Kado (que atingiu sozinha uma valorização total recorde de R$ 24 milhões em 2024, também durante o prestigiado Leilão Cataratas Collection). Não à toa, os óvulos e embriões dessas genéticas são altamente requisitados para o melhoramento de rebanhos em todo o mercado global.
As pistas ajudam a explicar como esse valor é construído. Entre as matrizes que chegaram ao topo dos leilões, estão animais que também fizeram história nas exposições e nos rankings de suas raças. Donna FIV CIAV é um exemplo claro dessa trajetória. A matriz conquistou o título de Melhor Matriz do Ranking Nacional em 2024 e acumula múltiplos campeonatos de Progênie de Mãe nas principais pistas do país, entre elas a ExpoZebu e a Expoinel. São resultados que colocam o animal sob o olhar dos criadores e ajudam a comprovar, na prática, a força da genética que está sendo comercializada.
O mesmo acontece com outras recordistas. Isso porque a pista funciona como um ambiente de avaliação e comparação, onde os animais são submetidos a critérios técnicos e disputam espaço entre alguns dos melhores exemplares da raça. Quando um indivíduo se destaca de forma consistente, ano após ano, essa trajetória passa a fazer parte de sua história comercial. É essa combinação entre desempenho, reconhecimento e genética que ajuda a explicar porque o ranking ganhou tanto peso dentro da seleção e porque seus resultados chegam, depois, aos grandes leilões.
“A importância do Ranking Nacional da ACNB para o crescimento da raça e valorização dos animais é indiscutível. A qualidade genética que pudemos ver nas pistas é resultado direto de um trabalho em nível nacional para valorização do Nelore, sem o qual não existiram os grandes recordes de preço da atualidade”, garante o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Victor Paulo Miranda.
No Nelore Pintado, os recordes de valorização também impressionam. O mais recente foi na comercialização da Ibiza FIV Surreal (Banner FIV V3 x Feiticeira FIV V3). Vendida pelo anfitrião do Leilão Syagri Day e seu criador Nelore Ibiza, em setembro de 2024. Um terço dela, ou seja, 33% das cotas, foi arrematado por R$ 3,15 milhões, a valorizando em R$ 9,45 milhões. Mas ela não parou por aí. Em 2025, 25% de suas cotas foram comercializadas em mais um novo preço recorde no Leilão Nelore Pintado Ibiza, que aconteceu no dia 19 de abril, em Uberaba (MG): R$ 3,8 milhões, elevando o valor total da matriz para R$ 15,2 milhões, superando seu próprio recorde anterior.
Um dos fatores que fazem dela tão valiosa é sua genética de alta qualidade. Suas progênies dão show na pista e no martelo, como Betina FIV Syagri (Mil FIV GC da SL x Ibiza FIV Surreal), com um valor de mercado estimado em R$ 5,4 milhões. Agora, Ibiza FIV Surreal pertence ao Nelore Ibiza, Grupo GAP, Nelore Pintado OT, Grupo Everest, Agropecuária das Américas, Nelore Syagri e Nelore Pintado Haras L.A.
“Nós da Syagri sempre acreditamos nos melhores animais, nas melhores genéticas. São eles que se pagam mais rápido, porque as novas gerações são das melhores linhagens, por isso investimos pesado nestes indivíduos. Somos sócios na Ibiza FIV Surreal e também na Carina FIV do Kado, duas das recordistas na atualidade. São animais que são valorizados porque eles se pagam através do seu material genético, por conta disso somos constantemente convidados para participar dos principais leilões do país. Dentro de três ou quatro anos, no máximo, você consegue pagar o investimento feito nesses animais. É necessário ter uma estratégia de trabalho ao lado dos sócios para fazer a estratégia de venda. A Carina FIV do Kado, por exemplo, deu recentemente 54 oócitos viáveis, então esse investimento vai se multiplicando”, contou à época Otoniel José Pereira, pecuarista à frente da Syagri Agropecuária.
O criador segue investindo em genéticas premiadas e recordistas. No Leilão Gibertoni 2025 brigou bonito até o final pelo lote de clones da Parla. “Demos o penúltimo lance, não conseguimos levar essa, mas temos certeza de que os novos investidores vão conseguir ter o retorno dessa compra muito rapidamente, e nós seguiremos buscando as melhores genéticas nos principais leilões do país”, acrescenta Otoniel.
É justamente esse retorno que desperta o interesse de novos nomes para o mercado. O entusiasmo de criadores como Otoniel reflete um movimento de quem busca oportunidades sólidas no agronegócio. Os recordes funcionam como um farol: iluminam o caminho e mostram que há espaço para novos investidores, desde que estejam atentos à consistência genética e à força comercial dos animais ofertados. A cada valorização histórica, mais gente entra no jogo, trazendo mais fôlego, novas ideias e ampliando o alcance do Nelore e da pecuária seletiva no Brasil.
A relação entre pista e valorização, porém, vai além do resultado individual de cada animal. Para Felipe Picciani, criador à frente do Grupo Monte Verde e diretor da ACNB, o trabalho desenvolvido nas exposições ao longo dos anos teve papel importante na evolução da seleção do Nelore. Ele compara as pistas a um laboratório, onde os animais são avaliados, os melhores indivíduos ganham espaço e suas características passam a ser multiplicadas dentro da raça.
“Se hoje a raça Nelore é, indiscutivelmente, a maior do país — não apenas em número de cabeças e pela presença dominante na produção de carne brasileira, mas também no mercado de seleção genética e nos recordes de valorização — isso se deve, em grande parte, ao trabalho desenvolvido nas pistas por meio do Ranking Nacional. Uma comparação interessante é com a Fórmula 1. Assim como a categoria funciona como um laboratório de desenvolvimento de tecnologias que, mais tarde, chegam aos carros de rua, as pistas funcionam como um grande laboratório da seleção genética. É nelas que os melhores indivíduos são identificados, provados e multiplicados, levando avanços para toda a raça. É isso que ajuda a explicar por que, há 40 anos, o Brasil importava alimentos e, hoje, produz o suficiente para abastecer vários ‘Brasis’ e alimentar boa parte do mundo. Esse salto passa pelo trabalho de seleção genética, que começa nas pistas e depois melhora a raça em toda a cadeia produtiva”, afirma.
Nas outras raças zebuínas não é diferente. Embora o Nelore detenha os maiores recordes, outras raças como o Sindi e o Gir Leiteiro têm valorizações expressivas nos seus históricos.
Para o zootecnista e jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) há mais de 15 anos, Fabio Eduardo Ferreira, os rankings das raças são essenciais para a seleção das mesmas. “Os rankings são uma ferramenta de seleção muito importante, dentre as muitas que estão à disposição do criador. Avaliação genética, ultrassonografia de carcaça, genômica se unem à ferramenta mais antiga de todas, que é olho humano, que nunca deixará de ser um recurso imprescindível. Tem muitas características que os números não conseguem predizer, como, por exemplo, aprumos, raça, pigmentação, harmonia, equilíbrio. A seleção não pode ser feita somente em cima de peso e de números, é necessário avaliar a conformação. Por isso, a pista e os rankings são ferramentas das mais antigas e continuam sendo essenciais. É o ranking que dá o norte na seleção de qualquer raça”, diz.
Orlando Procópio, presidente dá Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), acredita que o Ranking Oficial da raça foi essencial para o crescimento da mesma. “Com certeza ele é essencial para valorização, pois aumenta a chance de premiar o próprio animal e também seus descendentes, valorizando ainda mais a linhagem do animal. O comprador visa todos esses pontos: o investimento em uma genética diferenciada e comprovada; ser parceiro de um criador (vendedor) de renome e bem relacionado; além da possibilidade de conquistar novos títulos. E, nesse ponto, o Ranking Oficial é indispensável”, afirma.
No Sindi, a trajetória também mostra como o desempenho nas pistas pode acompanhar a valorização comercial. Frida FIV AJCF (Aries FIV AJCF x Paz FIV da Estiva) é a fêmea mais valorizada da história da raça, com projeção de R$ 1,8 milhão. O segundo maior valor entre as matrizes pertence a Glória FIV OT-2 (Xilon da Estiva x Ética FIV OT), avaliada em R$ 1,24 milhão. Antes de chegarem a esses patamares, porém, as duas construíram uma trajetória de reconhecimento nas exposições. Frida foi Grande Campeã Nacional da ExpoZebu em 2017, Campeã Matriz Modelo da ExpoZebu em 2022 e também conquistou o título de Campeã Matriz Modelo na Exposição Nacional da Raça Sindi no mesmo ano. Já Glória FIV OT-2 é Tetracampeã Nacional e também Campeã Matriz Modelo na ExpoZebu.
A trajetória dos animais nas pistas ajuda a entender porque títulos e rankings passaram a ter tanto peso na formação de valor. Para a pecuarista e diretora da ABCZ Jovem, Giovanna Tibery, existe um processo rigoroso por trás de cada animal que chega ao pódio. “Pistas com juízes renomados, credenciados e associados seguem toda uma dinâmica que busca chegar o mais próximo possível da perfeição em relação ao padrão racial. Então, só por estar na pista, o animal já está sendo mais valorizado. Ele passa por um crivo acima da média, além do simples registro, que também é um crivo. Mas a pista representa a superioridade, onde a gente vê o padrão que queremos seguir. Esse crivo ganha ainda mais importância quando os animais são comparados aos melhores exemplares de uma raça. “Embora a gente concorde que a realidade seja vista no campo, a pista é muito importante porque é onde vemos o padrão racial, até onde a raça pode chegar, a força das progênies e dos acasalamentos, a força da padronização racial e onde as pessoas ficam sempre atentas às características mais valorizadas. A pista é onde colocamos os animais à prova, em um teste de extrema superioridade. Quando falamos de um crivo com uma régua muito mais alta, o animal é muito mais valorizado, e tudo o que tem maior visibilidade vem acompanhado de valorização, não só dos indivíduos que passam pela pista, mas também de seus filhos. Existem, inclusive, animais que nunca passaram pela pista, mas cujos filhos fizeram história. A pista é onde tudo é colocado à prova”.
E é justamente nesse ambiente de competição que os rankings passam a funcionar como uma referência para o mercado. “Os rankings influenciam de forma significativa, principalmente para criadores e selecionadores que já participam de pista e sabem o quão acirradas são as pistas nacionais, os critérios hoje executados pelas associações e a profissionalização que o Zebu vem demonstrando. Isso reflete a evolução genética do gado zebuíno como um todo. Quanto mais competitividade, mais se mostra que o Zebu alavanca seu potencial a cada dia, trazendo indivíduos que não param de impressionar em suas características”, afirma.
Para Giovanna, os resultados conquistados nas pistas são, de fato, uma forma de validação. Mas não contam sozinhos toda a história de um animal. “Acredito que a maioria do mercado enxerga essas conquistas como validações, com certeza. Pois são critérios rígidos e afiados, onde apenas os indivíduos extremamente qualificados são selecionados. Mas diria que os rankings isolados não podem levar todo o mérito de validação da qualidade genética, apesar de terem um papel muito importante como vitrine nos dias de hoje”, diz.
A ressalva é importante porque a seleção genética reúne diferentes ferramentas e critérios. “Os programas de avaliação são extremamente importantes para compor as análises, como o PMGZ, avaliando critérios nos quais, às vezes, a pista não consegue se aprofundar. Então, a pista é um ‘frame’ muito importante. Mas o filme do indivíduo e de sua qualidade deveria ir além para uma análise completa, avaliando seu potencial de índice, além do ‘olho do boiadeiro’, que é insubstituível”.
No fim, a decisão continua passando também pelo olhar de quem conhece o rebanho e acompanha cada animal de perto. “Cada criador tem seu crivo, seu critério e sua estratégia. Um animal que foi muito bem em um ano de pista pode não desempenhar da mesma forma no ano seguinte. Então, o olho do pecuarista em relação aos seus animais e aos critérios de seleção em que acredita é um elemento crucial”, complementa a pecuarista.
Na raça Gir Leiteiro, o recorde histórico de valorização pertence à matriz Betina FIV Irmãos Chiari (Gatilho FIV Jabaquara x Figo FIV Fartura), que atingiu uma valorização de R$ 5,95 milhões durante a 91ª ExpoZebu, em maio de 2026, quando também foi a Grande Campeã da raça em pista. A negociação histórica ocorreu no Leilão Made In Brazil, onde a Ganadería El Tesoro de La Dorada, da Colômbia, adquiriu 33% da vaca por R$ 1,9 milhões.
Outro destaque de valorização na ExpoZebu 2026 foi a Bolívia FIV Irmãos Chiari (Camargo FIV do Basa x Pacífica FIV Mutum), que vem construindo uma trajetória de destaque nas pistas e hoje ocupa a primeira posição do Ranking da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGil). A matriz, propriedade do Grupo São Pedro, é uma multicampeã e acumula títulos por onde passa. Na Femec 2026, conquistou o título de Grande Campeã, reforçando uma trajetória que já vinha chamando a atenção dos criadores.
O reconhecimento das pistas também chegou ao mercado. Durante a ExpoZebu 2026, 50% da Bolívia foram vendidos por R$ 570 mil à ACN Agropecuária, tornando a matriz o destaque do Leilão do Gir Leiteiro do Chicão. A negociação mostra como uma trajetória consistente, construída entre campeonatos e o ranking da raça, pode aumentar a procura pela genética de um animal.
Para Pâmela Campos Carvalho, gestora da Fazenda São Pedro, a Bolívia reúne características que ajudam a explicar esse interesse. “O ranking funciona como um selo de credibilidade para o mercado. A própria Bolívia tem mostrado nas pistas sua superioridade, com junção de características desejáveis quanto ao desempenho racial e funcionalidade. Por isso, houve um aumento na procura do mercado em obterem a genética do animal em seus plantéis. Ela tornou-se um exemplo de como a união entre genética de excelência, manejo de qualidade, desempenho e conhecimento profissional em competições pode aumentar significativamente o valor comercial de um animal”, afirma.
O trabalho por trás da valorização
Um animal que chega ao topo das pistas e, depois, alcança cifras milionárias nos leilões, carrega uma história que começa muito antes da exposição. Há decisões tomadas ainda na escolha dos acasalamentos, na formação do rebanho e no acompanhamento de cada geração. O resultado que aparece para o público no momento do campeonato ou da batida de martelo é consequência de um trabalho contínuo, que envolve seleção genética, manejo e uma série de escolhas feitas ao longo do caminho.
No caso de animais que se tornam referência, esse processo pode ser ainda mais evidente. A valorização de uma matriz está ligada não apenas ao que ela própria mostrou nas pistas, mas à genética que recebeu e à que já está deixando para as próximas gerações. É essa combinação de desempenho individual, histórico familiar e capacidade de produzir descendentes de destaque que ajuda a transformar uma campeã em uma genética disputada pelo mercado.
“O trabalho por trás de um animal campeão e recordista, como é o caso da Glória, que é recordista da raça Sindi tanto em valorização quanto em premiações em grandes campeonatos, começa muito antes de o animal nascer. Passa pelo manejo inteligente, pelas melhores escolhas de material genético, por fazer um acasalamento muito bem pensado, levando em consideração anos de contribuição genética, além da coragem de arriscar. Quando a Glória nasceu, a gente sabia que ela era diferente de tudo, e que, se continuasse com aquele desempenho do primeiro ano, dificilmente seria alcançada. A mãe dela é a Melhor Matriz Nacional de 2024 e 2025, com o Chilon produziu uma progênie invicta. Os irmãos foram tão bem provados quanto ela. Então, a Glória foi valorizada por ser provada tanto pelos seus filhos quanto individualmente. Hoje já é mãe de Campeã Nacional, que é a Pérola FIV OT, campeã Bezerra da ExpoZebu 2026. Ou seja, o trabalho por trás de um animal muito valorizado tem várias mãos envolvidas e muito foco, passando por vários lugares, desde dentro do escritório, nas comunicações, parcerias e compras estratégicas, até o cocho, passando pela observação do cio, acasalamento bem direcionado, embrião bem transferido, manejo inteligente e um nascimento bem conduzido”, conta Giovanna.
No fim, a batida do martelo é apenas o momento em que o mercado coloca preço em uma história que começou muito antes. Os grandes recordes mostram o tamanho desse mercado, mas também revelam o que existe por trás de cada animal que chega a esse patamar: anos de seleção, decisões de acasalamento, manejo, resultados nas pistas, reconhecimento nos rankings e, principalmente, uma genética capaz de seguir produzindo resultados. É por isso que, entre o pódio e o leilão, existe muito mais do que uma sequência de títulos e cifras. Existe um trabalho contínuo de seleção que, geração após geração, define quais animais vão se destacar, e quais genéticas o mercado estará disposto a pagar milhões para levar para casa.




