Leilões impulsionam a pecuária brasileira
Com mais de 40 anos de experiência profissional, Paulo Horto acompanha de perto as transformações que consolidaram os leilões como uma importante ferramenta de evolução da pecuária brasileira. Sua trajetória começou ainda jovem,
trabalhando como freelancer para empresas como a Remate, então conduzida pelo saudoso Ado Carvalho, uma de suas referências profissionais. Décadas depois, essa história ganha novos capítulos: hoje, Paulo está à frente, como CEO, da Programa Leilões e também da Remate.
Entre o respeito por quem ajudou a construir essa história e o olhar atento para o futuro, Paulo acredita na força da genética, da tecnologia e, sobretudo, das pessoas para impulsionar o setor. Em 2026, ano em que recebeu o Mérito ABCZ e em que a Remate celebra 50 anos de fundação, ele conversa com a Pecuária Brasil sobre mercado, liderança, evolução dos leilões e uma paixão que atravessa toda a sua trajetória: a pecuária.
O que esperar do mercado de leilões neste segundo semestre de 2026 que já começou?
O mercado vem sinalizando muito bem a direção que
o pecuarista deve seguir. É preciso investir continuamente
em genética e tecnologia. A pecuária brasileira é protagonista no cenário mundial, e não tem como tirar isso da
gente. Segurança alimentar é hoje um dos grandes temas
da humanidade. O mundo precisa de alimento, e o produtor brasileiro tem o DNA da produção.
Nos últimos anos, a genética também se tornou uma
moeda forte, um ativo que vem atraindo novos investidores para a pecuária. Esse movimento está refletido nos
leilões de 2026, que vêm alcançando resultados surpreendentes e mostrando a força desse mercado.
Mesmo com tantos eventos realizados semanalmente, ainda há espaço para o crescimento do número de leilões no Brasil?
Sem dúvida. O Brasil é muito grande e a demanda
por animais de genética superior continua firme. Tenho
mais de 40 anos de carreira e acompanhei uma transformação extraordinária nesse período. Hoje vemos estados
com uma pecuária extremamente forte e representativa
que, há 20 anos, dificilmente imaginaríamos alcançar
esse patamar.
A pecuária brasileira continua em processo de amadurecimento e expansão em diversas regiões, e os leilões
têm papel fundamental nessa evolução, porque ajudam a
disseminar genética e acelerar o melhoramento dos rebanhos. Se quisermos continuar avançando e mantendo o
Brasil entre as grandes referências mundiais da proteína
animal, precisamos fazer essa genética chegar cada vez
mais longe.
Depois de mais de quatro décadas acompanhando esse mercado, o que você considera essencial para o sucesso de um leilão?
O comprometimento de todos os envolvidos. E tudo
começa pela seleção dos animais que serão ofertados. O
promotor precisa colocar no mercado um produto que ele
próprio teria vontade de comprar, sempre pensando no
melhoramento genético do rebanho. Também é fundamental estar cercado de bons profissionais, capazes de orientar as decisões com segurança e
conhecimento das tendências do mercado. Seja presencial
ou virtual, um leilão envolve muitas pessoas e diferentes
áreas. Quando existe comunicação, alinhamento e comprometimento entre todos, isso se reflete no resultado.
A qualidade genética é a base de um grande leilão. Mas qual é o peso da leiloeira e da integração
entre os diferentes profissionais para potencializar os resultados de um evento?
É uma sinergia, uma artéria ligando uma coisa à outra.
A atuação da leiloeira, das assessorias e de todos os profissionais envolvidos faz diferença — do trabalho de quem
está diretamente ligado à comercialização até o buffet e a
recepção. Cada detalhe contribui e é esse conjunto que, lá
na frente, ajuda a construir um grande resultado.
Mas costumo fazer uma comparação: não adianta ter
um carro maravilhoso, um grande piloto e um circuito
fantástico se você não tiver um ótimo motor. No leilão
pecuário, o motor é o gado. Todo o trabalho em torno
do evento potencializa o resultado, mas é uma genética
realmente diferenciada que sustenta sua valorização. E os
leilões vêm mostrando justamente isso: animais de extrema qualidade encontram cada vez mais reconhecimento
no mercado.
Sua energia na condução dos leilões acabou se
tornando uma característica muito associada ao seu
trabalho. Depois de tantos anos e de uma rotina tão
intensa, de onde ela vem?
Eu amo o que faço. Essa é a primeira coisa. Mas também tenho uma equipe muito competente e vivo um momento de enorme orgulho por todos eles. Temos hoje um
reconhecimento dos clientes e do mercado que sempre
sonhei alcançar, embora nunca imaginasse que chegaria à
dimensão atual.
Há dias em que realizamos vários leilões e, naturalmente, não consigo estar presente em todos. Mesmo assim, os resultados continuam acontecendo porque existe
uma equipe preparada, comprometida e que compartilha
dessa mesma paixão.
Por isso, não gosto da ideia de separar “leilão com
Paulo Horto” e “leilão sem Paulo Horto”. Prefiro pensar em leilão com uma equipe preparada e comprometida.
Somos um time. Ninguém faz nada sozinho.
Para finalizar esta entrevista, resgatamos um trecho do
vídeo institucional produzido pela Agência 1962 & Mídia
para o remate “Soy Loco por Ti Nelore”, cuja narração foi
feita por Paulo Horto. Pela força e sensibilidade da mensagem, a Pecuária Brasil adaptou o conceito original, ampliando sua referência do Nelore para a pecuária. Confira:
“Nem todo mundo entende, mas tudo bem, porque
a pecuária não se explica, ela se vive. Ser pecuarista não
começa no leilão, começa na escolha, no olhar atento, no
compromisso de fazer bem-feito. É acordar cedo, não por
obrigação, mas sim por convicção. É buscar o melhor, geração após geração, mesmo quando ninguém está vendo.
É reconhecer de longe o que tem valor e, de perto, respeitar quem também reconhece.
Porque, antes dos negócios, vêm as pessoas. E quem
vive a pecuária sabe que a verdadeira grandeza não está
apenas nas conquistas, está nos momentos em que escolhemos caminhar juntos, compartilhando vitórias, superando desafios, fortalecendo uns aos outros ao longo
dessa linda jornada.
Aqui não tem plateia, tem gente que vive isso todos os
dias e gente que sente que nasceu para viver isso também.
Hoje não é apenas um leilão, é um encontro de histórias
que se cruzam, de trajetórias que se respeitam, de pessoas
que se reconhecem mesmo sem dizer muito.
Desfrutem, porque, no fim, não é só a pecuária que
nos une, é o orgulho de ser pecuarista. Ninguém chega
longe sozinho!
Obrigada por caminharem ao nosso lado!”





