Lucas Castro – Zootecnista – Lancer Consultoria Pecuária
No artigo da edição anterior, abordei a importância de se adotar uma postura diferente frente às práticas de correção e adubação dos solos, visando a intensificação das pastagens. Para que se tenha sucesso nesse sistema, recomenda-se seguir um programa de manejo da fertilidade dos solos. Assim, é possível avaliar, recomendar, adequar e planejar todo o processo de maneira organizada e orientada ao resultado técnico e financeiro do investimento.
O programa consiste em 10 etapas, e no primeiro artigo foram apresentadas as cinco primeiras: escolha da área, mapeamento, amostragem de solos e envio ao laboratório, análise laboratorial e interpretação e recomendações de corretivos e adubos. A partir de agora, apresentarei o restante do programa.
Após a interpretação dos resultados das análises e as recomendações de corretivos e adubos para a meta produtiva especificada, a sexta etapa é o planejamento, quando se elabora o cronograma com cada ação a ser realizada durante a execução do projeto. Ter um calendário bem elaborado, de acordo com a realidade de cada região, é crucial para garantir que as operações sejam realizadas no momento certo. Nesta etapa também se faz o levantamento das opções de fertilizantes disponíveis e das cotações, para auxiliar na tomada de decisão sobre quais insumos serão adquiridos. Além disso, é planejado como será o transporte desses fertilizantes, os fretes, o prazo ou a data de entrega, e como se dará o armazenamento na fazenda. Também é recomendado aproveitar este momento para checar a regulagem das máquinas e dos equipamentos que serão utilizados nas operações. São vistas com frequência algumas situações de aplicações de insumos mal feitas, o que compromete o resultado do sistema.
A próxima etapa é a escolha dos fertilizantes. Os critérios para escolha de qual fonte iremos utilizar no projeto passam por questões técnicas (eficiência agronômica) e financeiras (relação benefício-custo). Para a correção do solo, deve-se avaliar a qualidade do corretivo, como o PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), que é a capacidade desse produto de corrigir a acidez do solo no curto, médio e longo prazo, e o teor de magnésio (dolomítico ou calcítico). Para as adubações com macro e micronutrientes, são avaliados os teores dos nutrientes, as combinações existentes em algumas opções e a suscetibilidade a perdas por volatilização (nitrogenados), fixação (fosfatados) e lixiviação. Ainda existe a possibilidade de se adquirir algumas fontes que já vêm misturadas, aplicando-se todos os nutrientes demandados juntos.
Além dos adubos minerais, também podem ser utilizados os adubos orgânicos ou organominerais, dependendo da disponibilidade na região. Os orgânicos apresentam algumas vantagens como: aumentar a capacidade de troca catiônica do solo; contêm todos os nutrientes das plantas; aumentar os micronutrientes como fonte e como complexos ou quelatos; diminuir o alumínio na solução do solo por meio da formação de compostos indisponíveis às plantas; substituir parcialmente o papel do calcário por serem fonte de cálcio e magnésio e por reduzir a toxidez de alumínio; aumentar a disponibilidade de fósforo por reduzir sua precipitação com o alumínio; melhorar a estrutura do solo, pois aumentam a aeração e o crescimento radicular; conferir maior proteção superficial ao solo contra encrostamento; aumentar a capacidade do solo de reter água; manter mais estável a temperatura do solo; e aumentar a atividade microbiana.
A oitava etapa do programa é a definição dos métodos de aplicação dos fertilizantes. Existem as opções de aplicação manual, tratorizada, aérea, foliar e por fertirrigação. Para pastagens, o método mais frequente e mais viável técnica e operacionalmente é a aplicação tratorizada ou aérea. Para sistemas de produção com pastagem irrigada, recomenda-se fazer as adubações via sistema de irrigação, pois isso permite aumentar a eficiência de uso dos fertilizantes.
Definidos os métodos de aplicação, inicia-se então a nona etapa do programa, que consiste na execução das correções (calagem, gessagem e fosfatagem corretiva) e das adubações (nitrogenada, fosfatada, potássica e de micronutrientes). Para garantir a máxima resposta às adubações, precisamos adotar as boas práticas para o uso eficiente dos fertilizantes. Essas boas práticas consistem em aplicar a fonte certa, na dose certa, na época certa e no local certo. Esses quatro princípios trabalham de forma integrada para: aumentar a produtividade das culturas; melhorar a eficiência de uso dos fertilizantes; reduzir os custos de produção; e minimizar os impactos ambientais dos nutrientes na água e na atmosfera.
Por último, temos a décima etapa, a avaliação dos resultados, pois de nada adianta elaborar todo o cronograma e executar cada ação corretamente se, ao final, não avaliarmos quais foram os resultados alcançados com essa intensificação. É fundamental saber se realmente foram alcançadas a produtividade e o resultado econômico almejados.
Hoje, o desafio é gerar retorno sobre o capital imobilizado, e isso só é possível aumentando a produtividade por hectare. Essa pressão econômica força o produtor a buscar maior eficiência técnica. Intensificar passa a ser a forma mais direta de diluir custos fixos e manter margem operacional positiva.







